A expectativa dos cientistas é de que a recém-criada camisinha faça com que as pessoas desejem usar a proteção, em vez de simplesmente adotá-la por razões de segurança de saúde ou para evitar gravidez. Mahua lembra que muitas pessoas abrem mão dos preservativos por acharem que a camisinha reduz o prazer na relação sexual. O novo produto, portanto, encerraria esta questão.
— Isto [ter a nova camisinha à disposição] faria com que as pessoas comprassem um produto que as protege e, ainda por cima, torna a relação sexual mais satisfatória — disse a pesquisadora à “BBC”.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que, apesar de avanços nas duas últimas décadas, milhões de pessoas no mundo todo ainda não têm acesso a camisinha ou não utilizam a proteção devido a barreiras psicológicas e tabus sociais.
O Fundo para a População da ONU mostra que o uso de camisinha em relações entre jovens de 15 a 24 anos que não são parceiros regulares varia de 80% em alguns países da América Latina até 30% em países a África Ocidental — incluindo alguns com altas taxas de infecção pelo HIV. Crenças populares e fatores culturais têm um papel importante no uso do preservativo.
CUSTO SERÁ DE CENTAVOS DE DÓLAR
O mais interessante em relação ao novo produto, segundo Mahua, é que não há nada parecido no mercado que ajude a prevenir de forma tão eficaz o HIV. Ela afirmou que, até o momento, o preservativo ainda é um protótipo, mas já existe muito interesse no mercado. A cientista acredita que o produto estará à venda dentro de um ano.
— Neste momento estamos criando (os preservativos) e logo será uma questão de acertar os detalhes — espera ela.
Quanto ao preço, as expectativas são animadoras. A pesquisadora afirmou que, uma vez que o preservativo comece a ser fabricado em larga escala, ficará em torno de centavos de dólares.
O novo preservativo é resultado de uma iniciativa de Bill Gates e sua esposa, Melinda, por meio da fundação criada por eles. Há dois anos, eles colocaram à disposição de empreendedores fundos de até US$ 100 mil para desenvolver uma “nova geração” de camisinhas mais finas e eficazes. O centro de pesquisas da Universidade do Texas foi um dos beneficiados.
O Globo
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